Museu Vivo de Insectos Sociais
O Cappas Insectozoo – Museu Vivo de Insectos Sociais é uma descoberta fascinante. Localizado em Vila Ruiva, concelho de Cuba, este museu/laboratório abriu as portas ao público em 1998, criado pelo investigador João Pedro Cappas e Sousa, que dedica praticamente toda a sua vida ao estudo dos insetos sociais.
Este não é um museu qualquer. É um museu vivo, de surpresas, paixão pelo conhecimento e fascínio pela descoberta. Instalado num espaço enorme de uma casa senhorial, o museu apresenta várias divisões com instrumentos, livros, comida para os insetos, plantas, maquetes e, claro, os formigueiros, colmeias e outros habitats construídos pelo próprio investigador.
O foco do museu está nos insetos sociais - formigas, abelhas, vespas, baratas e térmitas - e no estudo de como vivem, como comunicam e como pensam. Aqui, cada visita é única, pois a cada momento os visitantes observam realidades diferentes nas colónias que estão em constante atividade.
Tudo vivo, não há animais mortos em álcool. O museu apresenta colónias ativas de formigas, abelhas, vespas, baratas e térmitas, todas vivendo em habitats que recriam o meio natural.
Cada visita é única porque os visitantes observam realidades diferentes a cada momento. Desde ver uma abelha rainha a desovar até observar formigas a fazerem pão ou a levarem os mortos para o cemitério.
João Pedro Cappas estudou de forma autodidata, mantendo diários detalhados de observação permanente das várias espécies, permitindo descobrir problemas ou consequências de forma precoce.
O museu explora desde espécies com modo de vida semelhante ao da época dos dinossauros até conhecimentos sobre os códices Maias relacionados com a criação de abelhas sem ferrão.
João Pedro Cappas e Sousa, conhecido em alguns meios académicos brasileiros como mestre Cappas, é o criador e investigador por trás deste museu único. Desde muito novo que lê sobre biologia de insetos e Entomologia, tendo sempre querido ser investigador nesta área.
"O estudo de biologia dos insetos, especialmente formigas, abelhas e vespas, não existe em Portugal. Há de taxonomia, mas isso não me interessa. O meu interesse é sobre como vivem, como comunicam, como pensam", explica o investigador.
A sua primeira obra de referência foi quando em 1975 a avó lhe ofereceu o livro "Criação de abelhas indígenas sem ferrão", de Paulo Nogueira Neto, a quem dedica o nome de uma sala no Insectozoo e de quem se tornou amigo. Este foi o ponto de partida para uma jornada de conhecimento autodidata que o levou a ser frequentemente convidado para conferências no círculo cultural brasileiro.
João Pedro Cappas estudou as abelhas isoladas, sem contacto com outras colónias, porque elas trocam abelhas, mel, cera. Isso permitiu-lhe, por exemplo com as abelhas sem ferrão, saber o que se passava. "Eu só dava alimentos e tomava notas nos diários", explica.
Os diários com apontamentos muito pormenorizados permitem descobrir o início de algum problema ou consequência de alguma coisa. "Com os diários podemos descobrir o início de algum problema ou consequência de alguma coisa. Isso ajudou muito."
O investigador recebe muitos pedidos de ajuda, fotos e vídeos, e por outro lado, o acervo que reúne resulta de troca de informação com outros especialistas e de pesquisas que realizou. "Trocamos conhecimento e ajudamo-nos uns aos outros", refere sobre a sua rede de colaboração internacional.
O museu apresenta formigueiros onde podemos observar diferentes espécies com organizações sociais distintas. Algumas tornam-se enérgicas com a luz e calor, iniciando movimentos frenéticos quando o formigueiro fica descoberto. Outras fazem pão, levam o lixo ou os mortos para o cemitério. As obreiras produzem ovos que servem de alimentação.
Nas colmeias de vidro, os visitantes podem observar milhares de abelhas nas suas mais diversas funções - umas entram ou saem por um tubo, outras batem as asas incessantemente para movimentar o ar no interior da colmeia. Com sorte, poderá ver uma abelha rainha a desovar nos favos.
O fascínio pelas abelhas levou João Pedro Cappas para outro universo: decifrar os códices Maias. Numa das paredes tem afixado um códice figurativo, com inúmeros símbolos, explicando cada representação e o seu significado para uma civilização que utilizava o mel quase como um elemento sagrado. "O códex Maia tem a ver com os conhecimentos que eles tinham. Está tudo escrito. Informação sobre questões reais, o calendário das chuvas, quando se deve plantar o milho, manual prático de criação de abelhas sem ferrão."
As pessoas ficam espantadas e algumas excitadas com o que observam. "Uma vez tive uma visita de crianças. Começaram a ficar excitadas e quando esperava que o casal de professores ou auxiliares colocasse ordem nas crianças, eles estavam ainda mais excitados", recorda João Pedro Cappas.
A visita segue o caminho dos interesses do visitante e é uma longa viagem no tempo - desde espécies de formigas e baratas com modo de vida semelhante ao da época dos dinossauros até aos conhecimentos mais modernos sobre comportamento social dos insetos.
Rua 5 de Outubro, n.º 40, 7940-456 Vila Ruiva, Cuba
Visitas com marcação prévia
Perfeito para famílias ou grupos até 15 pessoas